Certa vez uma oliveira querendo semear azeitonas por todos os campos a sua volta decidiu abandonar sua terra de origem e se embrenhou pelo Vale do Rio Grande e suas águas de ondas, habitat do rude buriti.
Daí pra frente, a metamorfose da baixa árvore aconteceu: esverdeou-se nas barreiras, acinzentou-se no litoral, dourou-se no planalto central e, mesmo antes de acastanhar-se, a azeitona ficou preta.
As poderosas e profundas raízes da oliveira tentaram se apropriar do solo fértil, forte e soberano do alto buriti, que revoltado contra o retorcido tronco de longínqua origem, expeliu seu conhecido vermífugo: "uuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu".
A oliveira não se rendeu às vitaminas, cálcio, ferro e proteínas dos buritizais, e a exótica espécie lançou sobre o coração do nativo uma flecha de sódio e ódio: "morra quem tem paixão".
Desde então, a oliveira virou alvo da azeitona, transformada em pelota no estilingue do buriti que eternamente resistirá, principalmente porque o “Nego D`água” vive aqui.
por Fernando Machado
Publicada originalmente em 12 de março de 2011
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